domingo, 27 de janeiro de 2013

Biossíntese do colesterol


            O colesterol é uma molécula essencial para o funcionamento do organismo humano, portanto a partir de precursores simples todas as células são capazes de sintetizá-lo. Nessa postagem mostraremos os principais estágios da sua formação, que normalmente são divididos em 4 etapas para um melhor entendimento.

1ª etapa. O precursor do colesterol é o acetato e a partir dele ocorre a síntese do mevalonato (um intermediário de 6 carbonos).
            Duas moléculas de acetil-coA são condensadas formando acetoacetil-coA pela enzima tiolase. A molécula formada se condensa com uma terceira molécula de acetil-coA com a ação da enzima HMG-CoA-sintase gerando o composto de 6 carbonos HMGCoA (β-hidroxi-β-metilglutaril-coA). Depois ocorre a redução de HMG-CoA em mevalonato, para o qual cada uma de duas moléculas de NADPH doa dois elétrons.

etapa. Conversão do mevalonato em unidades de isopreno ativadas.
              Nessa próxima fase três grupos fosfato são transferidos de três moléculas de ATP para o mevalonato gerando a molécula 3-fosfo-5-pirofosfomevalonato pela ação das enzimas mevalonato-5-fosfotransferase, fosfomevalonato-cinase e pirofosfo-mevalonato-descarboxilase. Um grupo fosfato e o grupo carboxil vizinho saem do 3-fosfo-5-pirofosfomevalonato produzindo uma ligação dupla no produto de cinco carbonos, o isopentenil-pirofosfato (IPP) .Este é o primeiro dos dois isoprenos ativados centrais para a formação do colesterol. Então o IPP é convertido em seu isômero dimetilalil-pirofosfato (DMPP), o segundo isopreno ativado.

etapa. Condensação de 6 unidades de isopreno ativadas para formar o escaleno.
            A molécula de IPP e DMPP se condensam gerando o produto geranil-pirofosfato (GPP). O GPP se condensa com outra molécula de IPP e produz o farnesil-pirofosfato (FPP). Finalmente, duas moléculas de farnesil-pirofosfato se condensam utilizando NADPH por ação da enzima esqualeno sintase.

etapa. Ciclização do esqualeno para formar os quatro anéis do núcleo esteróide.
            O esqualeno passa por uma ciclização NADPH dependente produzindo o esqualeno-2,3-epóxido por ação da enzima esqualeno-monoxigenase. O esqualeno-2,3-epóxido que é uma estrutura linear é convertido em uma estrutura ciclíca formando o lanosterol, que contém os 4 anéis característicos do núcleo esteroide. Finalmente, o elanosterol é convertido em colesterol por ± 20 reações que incluem a remoção ou migração de grupos metil.


Caminho da síntese de colesterol


Nessa imagem é possível visualizar toda as reações da biossíntese do colesterol em que ,resumidamente, acetil-CoA + Acetoacetyl-CoA geram o produto HMG-CoA, que é reduzido a mevalonato. O isopentenil (IPP) é o primeiro isopreno ativado e o segundo é a molécula dimetilalil-pirofosfato. Os isoprenos ativados se condensam e formam o geranil-pirofosfato que se condensa com outra molécula de IPP gerando o farnesil-pirofosfato (FPP). Dois FPP se condensam formando o esqualeno. Depois, com uma série de mudanças (oxidações, remoção ou migração de grupos metil) o colesterol é produzido. 


Rosana Lima

Fontes:

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Gordura trans

A gordura trans, tão falada e conhecida por todos, recebe essa fama devido aos malefícios que ela pode trazer à saúde. Porém, assim como os demais nutrientes, a gordura trans só causa danos se consumida em excesso.


Mas, primeiramente, o que é a gordura trans?
A gordura trans é um tipo de gordura (ácido graxo), cuja molécula possui configuração trans (tipo de isomeria espacial que ocorre em moléculas de cadeia aberta que possuem dupla ligação, em que os átomos ligantes iguais estão em lados opostos no plano), formada pela hidrogenação (adição de hidrogênio nos óleos até que eles adquiram consistência sólida), seja natural, seja artificial. 



Processo de formação de gordura trans e a comparação com os outros tipos de gordura

Por que elas são prejudiciais à saúde?

O excesso desse tipo de gordura altera o metabolismo dos lipídeos (assunto que será tratado mais adiante), além de aumentar os níveis de LDL e diminuir a quantidade de HDL no sangue. Logo, uma consequência do consumo exacerbado de gordura trans são as doenças cardiovasculares. Uma pesquisa realizada no Hospital do Coração de São Paulo identificou que 82% dos pacientes com problemas cardiovasculares consomem gordura trans e, infelizmente, esses pacientes desconhecem os malefícios dessa má alimentação. Esse mesmo estuda aponta os principais alimentos considerados vilões da saúde: o biscoito recheado e a manteiga. E quem não come pelo menos um desses alimentos no dia a dia? 



Por que há a utilização de gordura trans?


As indústrias alimentícias utilizam o processo de hidrogenação para deixar o alimento mais crocante e saboroso. Por mais que elas saibam o mal que esse tipo de gordura pode causar à saúde, as indústrias se preocupam somente com a venda dos produtos. Felizmente, no Brasil, é obrigatória a indicação da quantidade de gordura trans nos rótulos dos alimentos, para que o consumidor tenha consciência do que está comprando e, caso ele saiba dos danos que a gordura trans em excesso pode causar, ele possa escolher alimentos com pouca ou nenhuma quantidade dessa gordura e, assim, cuidar da sua saúde. Já em outros países, como a Dinamarca, houve a proibição da utilização desse tipo de gordura nos alimentos.

Portanto, é preciso atentar-se à sua alimentação. Caso o indivíduo consuma esse tipo de gordura em grande quantidade, ele terá sérios problemas de saúde. Mas, para que ele cuide da sua alimentação, é preciso que ele se informe. É necessário, então, a conscientização da população sobre os alimentos que elas estão ingerindo, destacando os riscos que determinados alimentos causam à saúde.

Marina Oliveira

Fontes: 

http://www.sinomar.com.br/portal/conteudo.asp?codigo=4671&page=58
http://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/em-sp-82-dos-cardiacos-consomem-gordura-trans-diz-pesquisa,1ed09594abdf8310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

domingo, 20 de janeiro de 2013

Ômega 6


          Agora que vocês já sabem sobre os benefícios do ômega 3, vamos falar do ômega 6.
          O ômega 6 é criado por uma cadeia de hidrogênio ligado a camadas duplas de carbono. A diferença entre os ômegas são onde a estrutura química reside e seus efeitos ao organismo.
          Apesar de pouco falado, ele tem grandes benefícios na nossa saúde. O ômega 6, são conjuntos de ácidos graxos (fornecem energia) importantes para o bom funcionamento do nosso organismo. Se utilizadas da maneira adequada, ajudará na coagulação do sangue e, na circulação. Como também ajuda na cicatrização, na maciez da pele (tratamento de acne), e também na prevenção de: câncer, diabetes, distúrbios hormonais, etc.
          Apesar de todos os benefícios que o ômega 6 nos oferece, eles não são produzidos no organismo humano, então tem que ser adquiridos nas farmácias e, por alimentos ricos do mesmo. Pode ser encontrado em vários alimentos, podemos citar alguns deles:


  • Leite
  • Ovos
  • Peixes de água quente 
  • Semente de Girassol
  • Cereais
  • Aves
  • Óleos (milho, algodão, soja, etc)
  •  Frango
  •   Pistache


          Mas lembrando, que tudo em excesso faz mal. Então tem que tomar cuidado com a utilização, pois o excesso de ômega 6 pode causar envelhecimento precoce.

Camilla Viana 



Fonte:

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Ômega 3


ÔMEGA 3 – a gordura essencial à saúde humana


   Olá, leitores! Nesse post vou explicar o que é o ômega 3, para quê ele serve, quais são seus benefícios para com a sua saúde e em quais alimentos podemos o encontrar.
  
   Ômega 3 é um ácido graxo poliinsaturado, ou seja, é uma gordura na qual é essencial para saúde, uma vez que não é produzida pelo organismo, devendo ser fornecida através da alimentação.
  Existem vários tipos de ômega 3 porém nem todos são benéficos para o corpo. O “bom” ômega 3 é o de cadeia longa. Logo, os ácidos graxos de cadeia curta trazem poucos benefícios para a saúde. Portanto, para evitar algumas doenças e garantir uma vida mais saudável, deve-se consumir constantemente os alimentos ricos em ômega 3. São eles:

  • Peixes de águas frias (atum, salmão, arenque, sardinha, bacalhau)
  • Óleo de canola (em menores concentrações)
  • Óleo de soja e em castanhas (em menores concentrações)
  • Chia, linhaça (óleo, semente e farinha)
  • Vegetais verdes escuros (couve, espinafre e rúcula)
  •  Castanha do Brasil
  •  Nozes


   Em quantidades adequadas, essa gordura sintetiza muitos benefícios, que vem sendo estudados desde a década de 70:

  • O ômega 3 é um tipo de gordura muito benéfica para a circulação,  evitando a formação de coágulos sanguíneos e prevenindo o entupimento de vasos.
  • O consumo frequente de alimentos ricos em ômega 3 reduzem os níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue, e também a pressão arterial.
  •  Possui efeito anti-inflamatório.
  •  Auxilia no sistema cardiovascular, protegendo o coração.
  •  Previne a aterosclerose, auxiliar no tratamento de artrite reumatoide.
  •  Contribui para o sistema imunológico
  •  Vem sendo usado na estética para: tratamento de pele, combate ao stress...
  • Sendo assim, não deixem de consumir esses alimentos acima citados, que são ótimas fontes do ômega 3, a fim de garantir uma saúde integral, com qualidade de vida.


Abraços, Camylla Felipe.

Fontes:

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Aleitamento materno: saúde para a lactante e o recém-nascido


          A alimentação saudável tem extrema importância para a criança no início de sua vida e o leite materno é um dos componentes que contribuem para a saúde. A quantidade de nutrientes absorvidos  influencia diretamente na vida adulta, e pode evitar o aparecimento de doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes no futuro. O leite materno fortalece tanto o vínculo entre mãe e filho quanto a saúde da criança.



          Antes de descrever os componentes do leite, a definição de fórmula infantil como leite artificial nos ajuda a refletir sobre qual tipo de leite é o mais adequado para a criança. A fórmula infantil não contém  colesterol e lipase (enzima que atua no digestão dos lipídeos na transformação em ácidos graxos e glicerol),e essa ausência contribui para o maior risco de doenças cardiovasculares na idade adulta. Já o leite materno possui muitos nutrientes essenciais, como vitaminas, proteínas, carboidratos, minerais e lipídeos, de forma geral, mas o assunto principal a ser tratado são os lipídeos. Os tipos de gorduras presentes são: ômega-3, colesterol e a enzima lipase.
            O leite materno é constituído por uma enzima que catalisa as reações de absorção do colesterol, e ajuda no desenvolvimento do cérebro da criança. E a alimentação da mãe deve ser balanceada e sem excessos de colesterol. Se a dieta estar ausenta desse nutriente, durante o desmame, quando a criança ingerir alimentos ricos em gordura, haverá um estranhamento. Além de HDL ("colesterol bom"), o leite também possui triacilglicerol, gordura emulsificada responsável pela aparência branca "leitosa" característica.
            A composição varia de acordo com o tipo de alimentação da mãe, com as necessidades do recém-nascido. Se a lactante tiver uma dieta rica em alimentos industrializados, a criança poderá ter diminuição do HDL e aumento de triacilgricerol, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) com filhotes de ratos.
Por motivo de curiosidade, o leite de vaca pode ser uma opção para a criança, porém é preciso tomar cuidado. Ele deve ser bem diluído em água para reduzir as concentrações de proteína, e adicionar lactose ou sacarose para que a haja maior concentração de carboidrato em comparação ao leite materno. O perigo do leite de vaca é a alteração da composição, que deixa o valor calórico maior.
Durante as próximas postagens falaremos sobre ômega 3, ômega 6 e gordura trans para o melhor esclarecimento.

Melina Botelho

http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2011/06/leite-materno-vs-formula-infantil-sem-combate/    acesso em  12/01/2013
http://www.rbi.fmrp.usp.br/nutricao/BIOQUIMICA_DO_LEITE.pdf acesso em 12/01/2013
http://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/0064.pdf acesso em 12/01/2013
http://www.clickpb.com.br/noticias/saude/leite-materno-pode-passar-colesterol-ruim-para-o-bebe/ 13/01/2013
http://www.umaoutravisao.com.br/artigos/colesterol/amigo.htm  13/01/2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

Por que o colesterol é importante?


             O colesterol alto afeta milhões de pessoas gerando problemas cardiovasculares, por isso é bastante conhecido entre a população, mas a sua importância ainda não é muito divulgada pelos meios de comunicação. Então nesta postagem mostraremos o papel crucial do colesterol como componente das membranas celulares e precursor dos hormônios esteroides, dos ácidos biliares e da vitamina D.
            Todos os hormônios esteroides (sexuais e do córtex supra renal) são produzidos a partir do colesterol nos seres humanos. Os hormônios sintetizados na glândula supra renal são divididos em mineralocorticoides (controlam a reabsorção de íons inorgânicos pelos rins, como por exemplo Na+ e o Cl- ,controlando seus níveis na urina e no sangue), e os glicocorticoides (auxiliam na regulação da síntese de glicose e possuem ação anti-inflamatória). Nas gônadas masculinas e femininas e na placenta são produzidos os hormônios sexuais, alguns exemplos são progesterona, androgênios e estrogênios. Os androgênios, como por exemplo a testosterona, auxiliam no desenvolvimento de características sexuais secundárias masculinas e os estrogênios, como o estradiol, no desenvolvimento de características sexuais secundárias femininas e algumas das funções da progesterona são a regulação do ciclo reprodutivo feminino, o preparo da membrana mucosa do útero para receber o óvulo e preparação das mamas para a produção de leite.


Colesterol como precursor da biossíntese de alguns hormônios esteroides.
          
            Os sais biliares possuem como função a emulsificação que reduz o tamanho dos agregados lipídicos facilitando a sua digestão e também ajudam na absorção de colesterol, ácidos graxos e outros lipídios do tubo intestinal. Além dos sais biliares, a vitamina D também é produzida através dos colesterol. A vitamina D é essencial na regulação da pressão arterial; absorção de cálcio e fósforo atuando indiretamente contra a osteoporose; preservação da força muscular; proteção contra diabetes, câncer e esclerose múltipla; regulação do crescimento celular, do metabolismo energético e da imunidade do organismo. A falta de vitamina D pode gerar raquitismo infantil, baixa estatura, osteomalácia (doença em que os ossos se tornam moles e deformados).
            Cada uma dessas substâncias possuem um papel importantíssimo no organismo humano e são provenientes do colesterol, sendo assim o colesterol é também de extrema importância para as atividades vitais do organismo, não sendo um vilão e sim um beneficiador se a sua taxa de LDL não estiver alta e a de HDL não estiver muito baixa. Em outras postagens trataremos mais sobre esse assunto!


Rosana Lima 


Fontes:
  • LEHNINGER, ALBERT LESTER. Princípios de bioquímica de Lehninger. Quinta edição. Porto Alegre: Artmed,2011.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O que é colesterol?

Representação da molécula de colesterol

Popularmente conhecido, o colesterol é um tipo de gordura, famoso principalmente por causa da hipercolesterolemia ou dislipidemia (níveis aumentados de colesterol plasmático) que causa doenças como a aterosclerose e, consequentemente, causa derrames e infartos que, infelizmente, atingem grande parte da população. Porém, o colesterol vai muito além do senso comum.
Bioquimicamente, o colesterol é um álcool orgânico de cadeia longa cuja fórmula é C27H46O.  É necessário para o nosso organismo, pois está presente na membrana das células e é muito importante na síntese de hormônios esteroides - como a testosterona -, dos ácidos biliares e da vitamina D. Pode ser obtido através da dieta, a partir de alimentos, principalmente os que contém gordura animal (origem exógena) ou pode ser produzido pelo próprio organismo, no fígado (origem endógena).




Já que o colesterol é um tipo de gordura, ele é hidrofóbico, ou seja, insolúvel em água. Então, para que ele seja levado pela corrente sanguínea, é preciso que ele se ligue a um transportador, que, no caso, são as lipoproteínas: VLDL (Very low density lipoproteins ou Lipoproteínas de densidade muito baixa) e LDL (Low Density Lipoproteins ou Lipoproteínas de baixa densidade) que levam o colesterol do fígado aos tecidos e, assim, têm a facilidade de depositar colesterol nos vasos sanguíneos; e HDL (High Density Lipoproteins ou Lipoproteínas de Alta Densidade) que, ao contrário do VLDL e do LDL, retira o colesterol dos vasos e leva para o fígado. O HDL e o LDL também são muito conhecidos como "bom" e "mau" colesterol, respectivamente, por causa das suas funções. Por isso, recomenda-se que o indivíduo evite alimentos que contenham LDL e ingira mais alimentos que contenham HDL.

Portanto, o colesterol não é somente uma gordura conhecida por causar problemas vasculares. Ele tem suas mais diversas funções essenciais para o organismo e, se administrado corretamente, não causará problemas de saúde no indivíduo. O metabolismo do colesterol, a alimentação e as doenças relacionadas a ele ainda serão tratados nos próximos posts. 



Até a próxima!



Marina Oliveira



Fontes:

http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_exibe1.asp?cod_noticia=409

http://pt.wikipedia.org/wiki/Colesterol
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-e-o-colesterol
http://www.mdsaude.com/2008/11/colesterol-bom-hdl-e-colesterol-ruim.html